quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Professor Pachecão - Exemplo de como transformar algo chato em algo divertido.

Diferenças entre Inglês e Português - Fonética/Fonologia e Morfologia I

    Para uma pessoa pouco informada, o fato de palavras inglesas serem diferentes gráfica e foneticamente falando já é suficiente para deter minar que essas línguas não são idênticas. Mas há outras nuâncias que comprovam essa divergência; antigamente ter três letras a mais no alfabeto era uma característica, mas com o novo acordo ortográfico essa diferença foi abolida.
    Enquanto os brasileiros reclamam da acentuação portuguesa, não há acentos no inglês e isso pode dificultar a pronúncia de determinadas palavras. No Português, todas as proparoxítonas são acentuadas ao passo que no inglês não há tal marcação; a palavra "Internet" é pronunciada em inglês [Ínternet], logo é proparoxítona pois a tônica está na antepenúltima sílaba, mas em português falamos [internÉt(ch)i] e pronunciamos como paroxítona não havendo a marcação do acento nesse tipo de palavra.
    O "English" tem a característica de terminar palavras com "n" - "f" - "t" - "d" - "b", duplicar letras como "cc" - "ff" - "ll" - "ee"... coisas impensáveis em português. Nosso idioma não permite final de palavra com "n" - "f" - "t", não existe palavra com a geminação das letras mencionadas acima como no inglês e apenas as vogais "e" - "o" em contextos muito específicos como em "veemente" e "voo". Palavras como "small", "off", "account", "need", "pub" são extremamente estrangeiras sem possibilidade de confusão com nosso idioma.
    Outra característica do idioma britânico é inicio de palavra com "s" sem vogal. palavras como "smash", "sport", "smell", entre outras, são uma tortura para falantes de língua portuguesa já que não temos costume com esse tipo de construção, tendemos a inserir um "i" no inicio da palavra para ficar "mais fácil" e as mesmas palavras são ditas [isméxi], [isportchi] e [isméu]. Isso não é burrice, isso é português, o nosso idioma tem essa característica e é bom que permaneça assim.
    Mais uma característica que chama a atenção é a variedade de sons que as vogais e dígrafos podem assumir em determinados contextos. No dialeto estadunidense, monossílabos com "a" tem som de "é"snack [snék]), em outros contextos tem som de "ei" (saber [seiber]), em outros tem som de "a" (audio [audio]) e em outros tem som de "ó" (mall [móu]); só temos essa diferença de fones em determinados ambientes "e" e "o" que podem alternar entre "e" - "i" e "o" - "u" respectivamente.
    A que pega no pé dos iniciados na língua inglesa é o "th" em alguns casos é pronunciado como um "f" ou "d" realizado como lábio-dental, mas esses fones simplesmente não existem nem aqui nem além-mar; é [tenkiu], [dê], [truu], mas as pronúncias corretas de thank you, the e through. Repito, se somos tão burros como querem mostrar ao não saber como pronuncia uma determinada palavra, por que eles dizem [amoura] ou [pour favour]?
    Não quero ensinar inglês aqui,estou mostrando a diferença entre English e Português do ponto de vista fonético-fonológico e morfológico de forma bem simples, é claro que há diferenças entre os dialetos da Grã-Bretanha, estadunidense, canadense, jamaicano, neozelandês, australiano, sul-africano... variações dialetais ocorrem também dentro do português. Não justifica a pessoa cantar "wiar nuô", mas também não devemos ficar nos matando para "não ter sotaque", eles nem se preocupam com o sotaque ou com a construção verbal do português, por que temos que fazer isso?

Obrigado e boa leitura.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Dicas de Redação para Professores

    Se você estava na internet procurando dicas para fazer uma boa redação, mas é aluno ou concurseiro, aconselho a ler o Dicas de Redação para Alunos pelo fato de, como consta no título deste post, este aqui é para professores, pode ir pro outro, eu espero...
    Agora que os alunos já foram, podemos conversar melhor; alunos e professores sempre travaram uma guerra, por vezes oculta ou não, mas os alunos sempre tentam superar as expectativas dos mestres; algumas vezes os choques são realmente proveitosos, alguns alunos testam teorias para mostrar que são melhores que os professores, mas quando isso dá errado, ainda por cima em uma redação, o que poderia ser uma simples argumentação sobre "os benefícios ou malefícios do Bolsa Família" torna-se o mais longo e confuso tratado de "psico-filosofia-econômica-sócio-política-amadora-interminável".
    Pode ser óbvio e controverso, mas a redação é mais importante que uma equação de matemática. Conversando com um amigo que é matemático, ele me disse que a Matemática é a que melhor mostra a capacidade de raciocínio lógico do ser humano. Disse e digo novamente, o que melhor mostra a capacidade de raciocínio lógico é a argumentação.
    Uma boa argumentação é capaz de fazer com que algo duvidoso se torne crível, não há como recriar o "Big-Bang", mas a comunidade científica, como um todo, acredita nessa teoria pelo fato de ter sido aplicada uma boa argumentação sobre o caso. A Matemática é uma boa ferramenta para verificar a capacidade de raciocínio? Sim, mas de certos ângulos ela pode ser comparada à Redação. Saber preencher as variáveis é tão simples e tão difícil quanto estruturar um texto argumentativo.
    Nossa função como professores é de mostrar que o seu aluno que só tira 10 em Física, Matemática, Química, etc, tem que tirar 10 em Redação, pois o fato de ter inventado uma nova interpretação da Teoria das Supercordas não vale de nada se não souber justificar de onde partiram os cálculos e a justificativa de ser sua teoria melhor que a dos outros.
    Além de estimular esses alunos que já têm um futuro em mente, os que "nem sabem o que vão comer no jantar" são os mais necessitados de ter interesse pela matéria. Se for o grupo que "não está nem aí pra hora do Brasil", eles podem desperta o interesse em alguma área nos momentos de leitura para a prova; se for o grupo daqueles que realmente não têm o que comer no jantar, a argumentação é vital para a conquista de um emprego melhor, uma vida diferente da que tem no momento.
    Estímulo da leitura não deve ser do tipo: "amanhã vai ter simulado e o tema é 'Agricultura no Brasil pós-moderno' então leiam bastante." Os professores tanto de Redação quanto os de Língua Portuguesa (algumas escolas acham que existe uma diferença tão grande que deve ter dois professores, um para ensinar a língua e outro para ensinar argumentação). Proponho que as leitura comecem em sala e terminem na casa dos alunos.
    Por mais aplicada que seja a turma, a maioria dos alunos só lê uma parte do texto, quando não o resumo da internet na Wikipedia. Começar a leitura de um tema familiar aos alunos é uma boa chance de despertar o interesse pela leitura. Se a turma tem um hábito de leitura regular ou baixo, livros/artigos de nível baixo a intermediário são recomendados. Exemplos a serem utilizados são matérias populares de jornais como introdução às discussões, matérias mais complexas que envolvem maior carga de conhecimento também são uma boa proposta a depender do desenvolvimento da turma.
    O parágrafo anterior é melhor para escolas públicas, não que as particulares não se importem com a capacidade argumentativa de seus alunos, mas a particular tende a voltar os estudos para ENEM, UFRJ, UERJ, USP, FUVEST, UNICAMP, UNB, UFBA, UFC, UFMG... Logo as provas de redação são voltadas para essas grandes universidades, nos cursinhos então o foco é maior ainda quanto ao tipo de redação que o STJ costuma aplicar, qual tipo de tema vem aparecendo na prova dos Correios, etc...
    Começar uma discussão e terminá-la no papel pode ser melhor do que simplesmente pedir que leiam sobre um dado assunto e no final escrevam um texto de 25 a 30 linhas sobre o que entenderam do assunto. Se houver a possibilidade, e não só a obrigatoriedade, de falar dos clássicos que costumam circular nos principais vestibulares/concursos pode trazer novas discussões sobre o assunto.
    Usar provas de concursos não é vergonha nem prejuízo, já que não há um "gabarito" para esse tipo de matéria, você pode mostrar que mesmo um aluno do segundo ano do ensino médio poderia ter passado numa prova de redação dos fuzileiros ou da Petrobras, mostrar a eles que argumentação não depende de prova/concurso. Se for identificada dificuldade de expor a opinião, exercícios curtos são melhores que dezenas de redações inúteis.
    Mostre que a sua matéria está relacionada a tudo que envolve a vida. Ortografia é importante, mas é o texto como um todo que define se o aluno sabe ou não dissertar sobre um dado tema, escrever "tambem" não pode tirar 60% da nota a menos que haja um grave problema de ortografia e isso deve ser corrigido nas aulas de Língua Portuguesa. Espero poder ter ajudado a mostrar que pedir a um aluno de periferia que faça uma redação sobre Viagens na Minha Terra(A. Garrett) é quase um crime no ensino médio.
    Se você, professor, tem alguma dica sobre os processos de produção textual em sala de aula e gostaria de compartilhar, basta comentar aqui ou acessar nossa página no facebook Português e Tal, curta nossa página e comente.

Obrigado e boa leitura.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Dicas de Redação para Alunos

    O que normalmente se diz como principal dica é "leia bastante", tudo bem, mas ler o quê? Outro problema nesta frase é quanto é o "bastante"? Cada vez mais as redações são baseadas em temas da atualidade como economia, política e economia+política. Pode parecer redundante o terceiro ítem que mencionei, mas algumas vezes a economia não não interfere na política e vice-versa, mas quando elas interagem entre si a coisa fica feia para o país/bloco econômico.
    Sendo assim, se você, caro aluno de ensino médio e/ou concurseiro, se interessa pouco ou quase nada por esses assuntos está fadado a ter uma nota regular na prova de redação. "Paulo, é ruim tirar uma nota regular em Redação?" É óbvio que é, se você tirar uma nota regular e outro concorrente tirar uma nota alta ele ficará em uma classificação melhor que a sua. Sendo assim, nem pensar em fazer uma redação mais ou menos.
   Segunda dica e é mais óbvia do que se pensa, siga as regras da prova. Um alto número de reprovados em redação se deve ao fato de pessoas que não seguem o que se pede; tem "candango" que olha escrito "mínimo 20 linhas e máximo 30", o que a criatura faz? Escreve 18 linhas e letras grandes, se estava escrito entre 20 a 30 é sinal que menos que 20 ou mais que 30 representa eliminação e ponto. Não fuja do tema proposto, se mandaram falar sobre uma coisa, nem tente colocar hino de time nem receita de miojo...
    Normalmente pedem de 25 a 30 linhas e ficar só aumentando a letra não vai dar muito certo; faça cinco parágrafos com cinco linhas cada, ou seja, no mínimo já foram as 25 linhas sem ficar aumentando muito a letra. No primeiro parágrafo, você apresenta o tema que solicitado, lembre-se não é você que quer falar de início sobre árvores se o tema é o mar. Inicie claramente sobre o que você  pretende. Nos três parágrafos do meio dê argumentos ordenados logicamente, sem muita enrolação e se possível tentando problematizar, mas não muito, o tema. Argumente, discuta, exponha suas ideias, prove que você sabe do que está falando.
    No último parágrafo "a porca torce o rabo" pelo simples fato de você ter de terminar o assunto em apenas 5 linhas sem encerrar definitivamente a questão, mas sem deixar a impressão que poderia ter escrito mais.Conclua de forma clara, simples, coerente, confirmando o que foi exposto no desenvolvimento e brincando se chega a 25, 26 até 27 linhas, só que todo cuidado é pouco para não ultrapassar o limite máximo de linhas.
    Se for um assunto que você não domina ou pouco nem tenha medo de usar o rascunho para organizar o pensamento, mas se for fácil falar sobre um determinado tema, passe direto para a folha de resposta com o cuidado de não errar ortografia, coerência e limpeza, pois cada item mencionado pode e será descontado se não estiver em seu texto. Isso não é um bilhete para seu namorado, muito menos um tratado de filosofia, a redação é o documento que prova que naquele momento você estava preparado para argumentar sobre um determinado tema, ou seja, isso é coisa séria.

Espero que tenha ajudado, obrigado e boa leitura.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Qual é o correto, História ou Estória?

    Para acabar com essa dúvida, venho comunicar que o correto é História e não existe “estória”, mas como poderia não existir se muita gente faz distinção entre as duas formas? Tentando responder a essa pergunta, quero saber qual é o correto, adevogado ou advogado? A quem respondeu advogado eu pergunto, porque tanta gente ainda fala adevogado?

João Batista Ribeiro de Andrade Fernandes

    João Batista Ribeiro de Andrade Fernandes, um dos fundadores da ABL(Academia Brasileira de Letras), propôs a adoção do termo estória, em 1919, para designar histórias do Folclore, narrativa popular, conto tradicional, pois esse era um dos objetos de estudo dos especialistas de Literatura. Não era considerado inventar, mas sim de “resgatar” uma possível forma arcaica, comum nos manuscritos medievais de Portugal. Naverdae pode ser uma ponta de inveja por causa de story e history do Inglês; seria uma tentativa de melhor traduzir e entender frases como “Stories are not History“ ou “The History of a Folk Story“. Como será que traduziriam “The Force is strong in you”, se bem que em Star Wars traduziram como “a Força é poderosa em você”...
    Não se encontra um vocábulo diferente de história nos documentos medievais mais confiáveis; no começo da transiçãoentre o Galego-Português para o Português, muitas palavras eram grafadas com “ç” em início de palavra, “z” no lugar de “ç”... Alguns exemplos dessa variação na escrita pode ser “história”, “hestória”, “estória”, “istória”, “estórea” (acentos marcados aqui apenas para indicar a tônica).
    Certa vez Napoleão Mendes de Almeida questionou num tom muito irônico: “Se curtos de inteligência foram nossos pais em não terem descoberto essa história de “estória”, curtos de inteligência continuamos todos nós em não forjarmos distinção gráfica e fonética para poder, para educação, para raio, para oficial e para outros vocábulos de formas diferentes em Inglês, como curtos de inteligência são todos os outros idiomas que têm palavras com mais de uma significação”.
    Os que defendiam “estória” pretendiam unicamente distinguir “a História do Brasil” das “Histórias da Carochinha”. Se tentaram justificar sob o enfoque lingüístico, erraram e muito. Essa não é uma distinção das mais úteis. José Neves Henriques condena essa invenção “brasileira”, já que em Portugal não existe “estória”, e taxa essa lindeza de palavra como “uma palermice, porque, até agora, nunca confundimos os vários significados de história. O contexto e a situação têm sido mais que suficientes para distinguirmos os vários significados”. Quem acredita em história pra boi dormir?
    Como nossos estimados literatos quiseram nos deixar a palavra “estória”, qual seria a grafia correta de “Deixa de histórias!”; “Isso já é uma outra história“; “Que história é essa?”; “Eu e ela temos uma velha história”; “História de pescador”. Qual das duas formas deve-se usar? João Ribeiro pecou ainda mais quando disse que as duas formas seriam distinguíveis na fala, mas a vogal “e” em inicio de palavra e pré-tônica é, por vezes, pronunciada como “i”, pense em frases que contenham as palavras “escola”, “engano”, “ensaio” e “espelho”... Ambas seriam pronunciadas da mesma maneira: [istória], ou seja, isso é um problema de Fonética. Os amantes de quadrinhos passariam a usar EQ em vez do consagrado HQ?
    De qualquer forma, o uso de estória poderia ter ficado confinado ao mundo do Folclore, onde talvez fosse de alguma utilidade. Afinal, não é incomum que certas áreas do pensamento postulem, para uso exclusivo, vocábulos novos ou variações fonológicas ou ortográficas de vocábulos antigos, no afã de obter maior precisão em seus conceitos. Isso se verifica, por exemplo, na Filosofia, na Lógica, na Lingüística, na Psicanálise (onde me chama a atenção a impressionante inquietação lingüística dos lacanianos). Como é natural, essas variantes vão fazer parte de um código específico, cujo emprego passa a ser indispensável para os especialistas dessa área, mas não entram no grande caudal da língua comum. A criação, a utilização e, muito seguidamente, a agonia e morte dessas formas são registradas em discretos dicionários especializados, convenientemente isolados do grande rebanho representado pelos dicionários de uso.
    A criatura estava muito bem controlada dentro de jaulas na ABL e não fazia mal a ninguém, até que um senhor chamado João Guimarães Rosa resolveu libertar os seres do setor de Neologismos. Quando Rosa decidiu publicar “Primeiras Estórias”, de 1962, a coisa virou bagunça, como se não bastasse, este boníssimo senhor escreveu outros dois livros chamados “Tutaméia - Terceiras Estórias” (na época ditongos do tipo “ei” eram acentuados) e o, póstumo, “Estas Estórias”. Muito tem sido escrito sobre a inovação da linguagem rosiana, mas nenhuma das palavras montadas, deformadas ou inventadas por ele jamais será usada, a não ser por escassos imitadores.

Obrigado e boa leitura.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Qual é a diferença entre Comprimento e Cumprimento?



    Diferença simples que pode pegar no pé de muita gente.

Obrigado e boa leitura

Quanta coisa dá pra confiscar dos alunos em sala de aula?


Exposição de professor mostra objetos confiscados de alunos durante 30 anos

    Tenta fazer isso no Brasil... Aqui se tomar algo do aluno, pode dar repreensão por parte da diretoria, suspensão, cadeia, ameaça por parte do aluno e familiares... isso se conseguir tirar algo do aluno. Cada vez mais vemos nos principais meios de comunicação que as salas de aula não são mais um local seguro e brinquedos são o menor dos problemas, algumas, e não poucas, vezes os alunos levam armas de fogo dos parentes para a escola e sempre dá "merda".

Obrigado e boa leitura.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Problemas de Interpretação de Texto

    Nos dias que se seguiram ao término do Campeonato Brasileiro de Futebol da série A, vem saindo na mídia muita discussão sobre o futuro de certos clubes para o ano de 2014. Dois times cariocas dependem de ação extra campo para decidir quem disputará a série B do dito campeonato no ano que vem, mas algumas alegações não dependem tanto de provas diretas e mais de interpretação por parte do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) acerca do RGC (Regulamento Geral das Competições).
    O Vasco entende que a palavra "poderá" tem que ser entendida como "deverá", o árbitro pode decidir pela suspensão da partida após 60 minutos, mas não diz que deve, então ele não seria obrigado a encerrar o jogo após período maior de paralisação.

 Art. 19 - Uma partida só poderá ser adiada, interrompida ou suspensa quando
ocorrerem pelo menos um dos seguintes motivos:
I) Falta de segurança; 
(...)  
IV) Conflitos ou distúrbios graves, no campo ou no estádio;
V)Procedimentos contrários à disciplina por parte dos componentes dos
clubes ou de suas torcidas;
VI)Ocorrência extraordinária que represente uma situação de comoção
incompatível com a realização ou continuidade da partida.
 
§ 1º- Nos casos previstos no presente artigo, a partida interrompida poderá ser suspensa se não cessarem os motivos que deram causa à interrupção, no prazo de 30 minutos, prorrogável para mais 30 minutos, se o árbitro entender que o motivo que deu origem à paralisação da partida poderá ser sanado.

    Isso é o que diz o RGC da CBF visitado em 12/12/13 e os advogados do C.R. Vasco querem que o "poderá"(grafo meu) seja entendido por "deverá", pois a retomada da partida contradisse o artigo supracitado, independente do clube que torço, fica claro que há uma questão de interpretação de texto em que uma parte é interessada numa dada interpretação, todos os casos de processos judiciais trabalham com a hermenêutica das leis e é um procedimento legal e natural; saiu nos sites de notícia que o pedido foi rejeitado inicialmente, mas o setor jurídico do C.R. Vasco pretende entrar com recurso.
    Outro problema está no caso do C.R. Flamengo, que foi acusado de escalar irregularmente um jogador na última rodada do brasileirão referente ao artigo abaixo retirado do Código Brasileiro de Justiça Desportiva visitado em 12/12/13

Art. 171. A suspensão por partida, prova ou equivalente será cumprida na mesma competição, 
torneio ou campeonato e que se verificou a infração.
§ 1º Quando a suspensão não puder ser cumprida na mesma competição, campeonato ou torneio 
em que se verificou a infração, deverá ser cumprida na partida, prova ou equivalente 
subsequente de competição, campeonato ou torneio realizado pela mesma entidade de administração 
ou, desde que requerido pelo punido e a critério do Presidente do órgão judicante, 
na forma de medida de interesse social. (NR).

    Novamente questão de interpretação de texto, em que uma parte alega que a punição foi cumprida no jogo anterior e a outra parte diz que a punição deveria ser cumprida após julgamento do STJD e deveria ser aplicada no jogo da última rodada do campeonato brasileiro.
    Aí está você, caro leito, pensando no que isso tem a vem com Português... Apenas tudo! Lendo o que escrevi sobre Interpretação X Análise, este é um bom exemplo de como um ponto de vista pode acabar com os planos de alguém ou salvar o emprego.
    Cabe ao STJD interpretar a lei e analisar os fatos para que se possa ser tomada uma decisão imparcial, da mesma forma que você deve fazer ao ler um enunciado de redação ou de uma questão interpretativa para no ENEM, Vestibular, Concurso, o que for...

Obrigado e boa leitura.

Como entender de forma simples a Crase?


Música de AXÉ

    Antigamente, axé era apenas uma palavra de origem africana que tinha muitos significados e era utilizada para várias situações, era como a Coisa de hoje, mas quando passou a representar estilo musical característico da Bahia... tem quem goste? Claro! Se não tivesse quem goste, a cantora Ivete Sangalo não seria considerada atualmente a maior artista pop brasileira. Comenta se que seu cachê gira em torno de R$350 mil, atualmente o segundo mais caro do país, perdendo apenas para o rei Roberto Carlos (R$500 mil). Ivete tem uma média de dez shows por mês e a depender do perfil do evento (geralmente quando a imagem da artista está atrelada.).
    Em segundo lugar, mas não menos importante temos Claudia Leite com cachês que variam entre R$100 mil e R$120 mil, em média. Também com uma média mensal de dez a doze shows, mas com um diferencial, essa loira não é burra, é uma das empresárias do ramo musical de maior faturamento, só perde pra Ivete no tamanho e na diversidade de investimentos.
    Mas outra questão é referente ao ranking nas playlists de sites como Letras-Terra e Vagalume em que as primeira posições são ocupadas por Ivete Sangalo, Claudia Leite, Banda Eva e Chiclete com Banana. Daniela Mercury, Araketu, Netinho entre outros que fizeram sucesso nos anos 90 quase sumiram da mídia nos anos 2000.
    Ivete foi vocalista da Banda Eva e Claudia da Banda Cheiro de Amor, mas fora elas qual ou quais cantores estão tão em evidência? Digo mais, quais outros cantores de Axé fazem música realmente agradável aos ouvidos? Venhamos e convenhamos, músicas tipo "Dança Pro Papai" e "Chora" não são feitas para refletir sobre a vida e sim "quebrar tudo".
    Se for fazer um apanhado dos títulos das músicas de alguns grupos/cantores que fazem sucesso no Brasil todo, não só na Bahia, as letras falam de amor, alegria e não de sacanagem. "Amor Eterno" (Terra Samba), "Magalenha" (Carlinhos Brown), "Tchau, I Have To Go Now" (Jammil e Uma Noites) e Vem Meu Amor (Ivete Sangalo) são exemplos que axé de verdade tem letra, tem conteúdo e ainda um rítimo que não te deixa ficar quieto.
    Outras letras são um tanto confusas, ao menos pra mim, como "Pau que nasce torto/ Nunca se endireita/ Menina que requebra/ A mãe pega na cabeça", "Olha pra frente, pra frente/ Cintura, cabeça, Tchubirabiron (8x)"... isso quando não pegam uma música que está fazendo sucesso e muda pra axé.
    Pra mim, música de axé é igual a funk, já teve uma época boa, com conteúdo bacana e teve uma época ruim, só pra requebrar e músicas ou sensuais ao extremo ou sem criatividade. Tem muitos cantores/bandas que fazem coisa boa e tem muitos que fazem música ruim. Pra encerrar, quem cresceu depois de 2000 e acha que "Ai se eu te pego" é um chiclete, você deveria ter ouvido "Na Boquinha Da Garrafa" (Companhia do Pagode), nem vou comentar muito, pergunta pra uma tia ou pra sua mãe o que foi aquilo.

Só sei que "o Araketu, quando toca, fica todo mundo pulando que nem pipoca"...
Obrigado e boa leitura.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Como Aumentar a Inteligência - Dicas Para Estudar Com Eficiência

A lucidez perigosa - Poemas Alheios

A lucidez perigosa 

Clarice Lispector

Estou sentindo uma clareza tão grandeque me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.

Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
- já me aconteceu antes.

Pois sei que
- em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade -
essa clareza de realidade
é um risco.

Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve
para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém.

Fonética I



    A Fonética, do grego phonetikós, é o ramo da Linguística que estuda a natureza física da produção e da percepção dos sons da fala humana. Preocupa-se com a parte significante do signo linguístico e não com o seu conteúdo . Segundo Borba (1975) , subdivide-se em:

    Fonética articulatória: estuda como os sons são produzidos, isto é, a posição e a função de cada um dos órgãos do aparelho fonador (língua, lábios, etc.);
    Fonética acústica: analisa as características físicas dos sons da fala, ou seja, as ondas mecânicas produzidas e a sua percepção auditiva.

Outros autores consideram também uma terceira subdivisão:

    Fonética auditiva: estuda os processos que realiza o receptor na recepção e interpretação da onda sonora.

    A unidade básica de estudo para a Fonética é o fone. A fala humana é capaz de produzir inúmeros fones. A forma mais comum de representar os fones pelos linguistas é através do Alfabeto Fonético Internacional (AFI ou IPA, International Phonetic Alphabet).
Alguns fones são auditivamente próximos entre si a ponto de se tornarem indistinguíveis. Por exemplo, o som de "rr" em alguns dialectos do português do Brasil é realizado foneticamente pela consoante fricativa velar surda (x no AFI). Entretanto, essa pode ser substituída pela consoante fricativa glotal surda (h no AFI) que a palavra que nela estiver continuará a ser reconhecida. A esse fenômeno, dá-se em fonologia o nome de alofonia.
    Assim, [x] e [h] são alofones do "erre" forte em português do Brasil. Um grupo composto de um fone e seus alofones para os falantes de um idioma é denominado fonema. Deve-se ressaltar que a alofonia entre dois fones é relativa. Por exemplo, no Alemão compõem fonemas separados.
    O estudo dos fonemas é desenvolvido pela Fonologia. A fonologia e a fonética são frequentemente confundidas porque os conceitos de fone e fonema também geram confusão.

Joaquim Maria Machado de Assis


sábado, 7 de dezembro de 2013

Dom Casmurro gay?

CONTEÚDO DISPONÍVEL EM:




Soneto - Poemas Alheios



Recolhei, recolhei essas coitadas,
Tristes crianças, desbotadas flores,
Que a morte despojou dos seus cultores
E pendem já das hastes maltratadas.

Trocai, trocai as fomes e os horrores,
Os desprezos e as ríspidas noitadas
Pelos afagos dos peitos protetores,
Ensinai-lhes a amar e a ser amadas.

E quando a obra que encetais agora
Avultar, prosperar, subir ao cume,
Tornada em sol esta ridente aurora,

Sentireis ao calor do grande lume
Tanta ventura, que, se fordes tristes,
Jubilareis da obra que cumpristes.


(Machado de Assis)

Motel - Palavra na Raiz

Motel

    Estabelecimento comercial que oferece hospedagem, alugando quartos e apartamentos mobiliados, um verdadeiro descendente das estalagens da idade média e clássica. Acrescentando serviços variados como alimentação, lavanderia, lazer etc. Temos então um tipo de hotel à beira da estrada que é muito comum para estadias rápidas, chamado de Motel.
    Diferente, em parte, do que ocorre nos EUA, aqui no Brasil este estabelecimento é usado 99,9% das vezes como local de encontros amorosos, nem sempre ficando à beira da estrada. A junção em inglês de "Motor + Hotel" gerou "Motel", o que não é muito estranho, mas por aqui poucas pessoas sabem da origem desse "Mo-"... Mo-? Por que não o M-? Pelo simples fato de um indivíduo ter lembrado que no interior as pessoas usavam o matinho e passaram a chamar a moita de Matel (Mato + Motel), pensa que acabou aí? começaram então a lembrar que muitas das vezes, na cidade, as pessoas não iam para o mato e sim para dentro do carro e passaram a chamar o carango de "Carrel", como se "-el" significasse alguma coisa; pior que o "-el" passou a incorporar o significado de "local de encontros amorosos". 
    Tá vendo como processos de formação de palavras são mais complexos, dinâmicos e muito mais interessantes do que os descritos nas gramáticas?

Hambúrguer - Palavra na Raiz

O tema de hoje é Hambúrguer.
    Essa é a forma em língua portuguesa de escrever o termo inglês "hamburg". Na internet há muitas histórias sobre a criação desse sanduíche que é tema de várias discussões entre nutricionistas e pessoas que gostam de comer coisas nada saudáveis. Uma das versões é que alguém veio da Alemanha trazendo um sanduíche característico da cidade de Hamburgo(norte da Alemanha), o prato se chama Hamburger provavelmente por ser uma junção de Hamburg + er (formador de gentílico em inglês) e sua "tradução" seria algo como "de Hamburg"...
    Como nem tudo são flores na linguagem, as pessoas pensaram que o prato seria uma junção de ham (carne) e burger (o suposto sanduba), pensando ser assim um sanduíche de carne, mas era mesmo, então resolveram mudar o nome para cheeseburger (burger de queijo) que seria, na prática, a adição de uma fatia de queijo ao já famoso hamburger.
    Quando essa iguaria chegou ao Brasil, tivemos de adaptar a grafia para o vernáculo e hamburger virou hambúrguer (lembra? "g" antes de "e" ou "i" tem som de "je/ji" e tem que colocar um "u" no meio para ter o som de "gã"; outra coisa é que SEMPRE acentuamos as paroxítonas terminadas em "-r"). Como falar Cheese é complicado para alguns brasileiros, começaram a escrever "X-burguer", pois é... além de terem alterado a palavra, colocaram uma letra no lugar do que já foi mudado na terra do tio sam e ainda enfiam um hífen...
    Como brasileiro é muito criativo, resolveram colocar no X que significava apenas "queijo" a informação "sanduíche de carne moída prensada com queijo" e formaram as lindezas: X-bacon, X-egg, X-calabresa, X-salada, X-Tudo, X-Tudão, XX-Tudo (isso vende aqui perto de casa e o XX indica o dobro dos ingredientes), tem um comercial do BK falando de X-burguer sem queijo... WTF?! COMO UMA COISA PODE SER VENDIDA SEM O INGREDIENTE PRINCIPAL?!?!
    É claro que é jogada de marketing, mas não podemos prever a criatividade do ser humano para "inventar palavras". Na Linguística alguns estudos mostram que não há invenções de palavras e sim rearranjos de esquemas já pré-existentes na língua para que hajam novos resultados dessas combinações(falaremos mais sobre isso). Pense aí, comente se quiser, quais as variações do hambúrguer tem na sua rua, bairro, cidade, estado, país, continente... planeta...


Obrigado e boa leitura.