Hino à Bandeira Nacional - Observações

Fonte: sportv.globo.com
Nada é mais emblemático que um hino. Com certeza, 99% dos brasileiros conhecem o hino da República federativa do Brasil, o Hino Nacional Brasileiro. Mas poucos sabem que a Bandeira Nacional também tem um hino muito bonito, não só a letra como a música são belíssimas.


Autor da letra: Olavo Bilac – Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (Rio de Janeiro, 16 de dez. de 1865 — 28 de dez. de 1918) foi jornalista, contista, cronista e poeta brasileiro pertencente ao Parnasianismo, membro fundador da Academia Brasileira de Letras.
Principais obras: Antologia poética; Através do Brasil; Conferências literárias (1906); Contos Pátrios; Crítica e fantasia (1904); Crônicas e novelas (1894); Dicionário de rimas (1913); Hino à Bandeira; Ironia e piedade, crônicas (1916); Língua Portuguesa (soneto dedicado à língua portuguesa); Livro de Leitura; Poesias (1888); Tarde (1919) – Poesia, org. de Alceu Amoroso Lima (1957); Teatro Infantil; Tratado de Versificação, em colaboração com Guimarães Passos; Tratado de versificação (1910).

Autor da música: Antônio Francisco Braga (Rio de Janeiro, 15 de abril de 1868 — Rio de Janeiro, 14 de março de 1945) foi um compositor, regente e professor brasileiro.
Principais obras: Missa de S. Francisco Xavier (s.d.); Missa de S. Sebastião (s.d.); Te Deum (s.d.); Stabat Mater (s.d.); Trezena de S. Francisco de Paula (s.d.); A Paz, poema com coro (s.d.); Oração pela Pátria, poema com coro (s.d.); Trio, para piano, violino e violoncelo (s.d.); Jupira, ópera (1898); A Pastoral, episódio lírico (1903); Barão do Rio Branco, dobrado (1904); Satanás, dobrado (s.d.); Dragões da Independência, dobrado (s.d.); Hino à Bandeira do Brasil (1905); Anita Garibaldi, ópera (1912-1922); Hino dos alunos do Colégio Pedro II.

Hino à Bandeira Nacional
Letra: Olavo Bilac
Música: Francisco Braga

I
Salve, lindo pendão da esperança,
Salve, símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da Pátria nos traz.

(refrão) 
Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

II
Em teu seio formoso retratas
Este céu de puríssimo azul,
A verdura sem par destas matas,
E o esplendor do Cruzeiro do Sul.

(refrão)
Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

III
Contemplando o teu vulto sagrado,
Compreendemos o nosso dever;
E o Brasil, por seus filhos amado,
Poderoso e feliz há de ser.

(refrão)
Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

IV
Sobre a imensa Nação Brasileira,
Nos momentos de festa ou de dor,
Paira sempre, sagrada bandeira,
Pavilhão da Justiça e do Amor!

(refrão)
Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

Comentários das estrofes:

I
Salve, lindo pendão da esperança,
Salve, símbolo augusto da paz!
Tua nobre presença à lembrança
A grandeza da Pátria nos traz.

Recebe o afeto que se encerra
Em nosso peito juvenil,
Querido símbolo da terra,
Da amada terra do Brasil!

Os versos 1 e 2 são introduzidos por uma saudação à Bandeira Nacional chamada de “lindo pendão (insígnia, símbolo de um ideal, etc.) da esperança” e “símbolo augusto (divino) da paz”. A nobre presença deste símbolo nos traz à lembrança a grandeza da Pátria.
O refrão traz uma carga afetiva muito forte ao fazer alusão ao amor que a nação brasileira tem pelo símbolo mor da “amada terra do Brasil”.

II
Em teu seio formoso retratas
Este céu de puríssimo azul,
A verdura sem par destas matas,
E o esplendor do Cruzeiro do Sul.

Aqui começa o enaltecimento dos elementos constituintes da bandeira e suas correspondências com o que se observa na nossa terra. Ao contrário de certos países europeus, nosso céu é sempre claro, sem nuvens, “límpido azul”. Nossas matas (ou o que sobrou delas) “tem mais vida”, como diz no Hino Nacional; por ser diferente das outras regiões do planeta, o poeta exalta a “verdura sem par” das nossas florestas.
A constelação do Cruzeiro do Sul era o ponto de referência dos navegantes no hemisfério Sul. Sua representação não está apenas na bandeira brasileira, Austrália, Nova Zelândia, Papua-Nova Guiné, Samoa e a bandeira do Mercosul têm como elemento de destaque o Cruzeiro do Sul.

III
Contemplando o teu vulto sagrado,
Compreendemos o nosso dever;
E o Brasil, por seus filhos amado,
Poderoso e feliz há de ser.

Da natureza da nossa terra, passamos para o dever cívico de todos os brasileiros que, de pronto, sabem, tão apenas “contemplando o vulto” (a sombra) da bandeira, o que deve ser feito para que o Brasil seja poderoso e a nação seja feliz. Vemos o nacionalismo refletido nas atitudes dos cidadãos que compreendem o seu dever na sociedade.

IV
Sobre a imensa Nação Brasileira,
Nos momentos de festa ou de dor,
Paira sempre, sagrada bandeira,
Pavilhão da Justiça e do Amor!

Podemos reescrever essa estrofe da seguinte maneira:
“Paira sempre, (ó) sagrada bandeira, (ó) pavilhão da Justiça e do Amor, sobre a imensa Nação Brasileira nos momentos de festa ou de dor!”
Independentemente dos bons e maus momentos pelos quais a Nação Brasileira possa passar, essa bandeira, que representa a “Justiça e o Amor”, estará por sobre todos os brasileiros como um manto sagrado. Note-se que Nação Brasileira, Justiça e Amor são marcados com a inicial maiúscula, caracterizando, assim a superior importância dessas palavras.

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